Iniciativa do Instituto Yduqs e IDOMED transforma estudo acadêmico em experiência imersiva e educativa para profissionais e estudantes da saúde

A reflexão sobre os vieses raciais na medicina ganha novos espaços e amplia seu alcance com a exposição “Nigrum Corpus”, iniciativa que transforma em experiência visual um estudo profundo sobre desigualdades no atendimento em saúde. A mostra – gratuita e aberta ao público – poderá ser exibida até o dia 21 de abril, nos hospitais Samaritano e Vitória, na Barra da Tijuca, da Rede Américas no Rio de Janeiro, segunda maior rede de hospitais do Brasil.
Partindo da premissa de que nem todas as “doenças” são detectáveis por exames clínicos, “Nigrum Corpus” evidencia um problema estrutural ainda presente na medicina contemporânea: o viés racial. A exposição traduz em cartazes relatos e estudos que abordam situações de preconceito e desigualdade, promovendo um percurso de letramento étnico-racial voltado a estudantes, profissionais da saúde e instituições de ensino.
A obra tem como inspiração o livro Nigrum Corpus, idealizado pela agência Artplan, que reúne um estudo sobre o racismo no Brasil, com relatos de 20 doenças fictícias, baseadas em relatos reais, e que foi premiada, no ano passado. No Cannes Lions 2025, Nigrum Corpus conquistou o Grand Prix em Industry Craft – Print & Publishing, além de dois Ouros, um Bronze e cinco shortlists. No Effie Awards, venceu um Ouro, duas Pratas e um Bronze, provando que impacto criativo e impacto social podem caminhar lado a lado. No El Ojo de Iberoamérica, a performance foi histórica: seis Ouros, um Gran Ojo, quatro Platas, três Bronzes e quatorze shortlists, posicionando o projeto entre os mais premiados da América Latina no ano. O reconhecimento seguiu em outras premiações — dois Ouros no AMPRO Awards e destaque no CCSP, com cinco Ouros e presença no Anuário, reforçando a consistência da narrativa e sua relevância em múltiplas perspectivas.
Já o case de Corpo Preto, o filme, foi shortlist no PPA, evidenciando que a força do projeto também se traduz na sua versão audiovisual. “Acreditamos que a educação é uma ferramenta poderosa para promover mudanças estruturais. Ao abordar o viés racial na medicina de forma aberta e educativa, contribuímos para a construção de um sistema de saúde mais justo e igualitário”, destacou Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do Grupo Educacional Yduqs.
Para Silvio Pessanha, CEO do IDOMED, a exposição representa um passo importante na formação de profissionais mais preparados para lidar com a diversidade: “Levar ‘Nigrum Corpus’ para além do ambiente acadêmico é fundamental para ampliar a conscientização sobre os impactos do racismo na saúde. Nosso objetivo é formar médicos mais atentos, diversos, empáticos e comprometidos com uma prática verdadeiramente inclusiva.”
Mais do que uma exposição, “Nigrum Corpus” se consolida como um instrumento de transformação, reforçando o compromisso das instituições envolvidas com a construção de uma medicina mais diversa, consciente e alinhada às demandas da sociedade.
A iniciativa integra o programa Mediversidade, desenvolvido pelo Instituto Yduqs e IDOMED, que busca transformar o ensino médico no país por meio de práticas mais inclusivas e comprometidas com a equidade, distribuídas três pilares fundamentais: Ensinar, Incluir e Mobilizar. Para alcançar os compromissos e iniciativas estabelecidos, foram traçadas metas de curto, médio e longo prazos, como o incentivo para projetos de pesquisa científica sobre diversidade, iniciado em abril de 2024.
Além disso, o programa prevê a criação de um fundo de investimento para apoiar o desenvolvimento de pesquisa e soluções para eliminar vieses; a revisão da matriz curricular da graduação de Medicina, com 70% das unidades com a nova matriz até dezembro de 2026; e o aumento em 35% de vagas afirmativas para docentes no IDOMED e ampliação da oferta de serviços assistenciais exclusivos voltados a pacientes com marcadores de diversidade étnico-racial.
O programa inclui ainda o lançamento do programa de bolsas de estudo para negros, indígenas e PCDs que se autodeclarem nos marcadores dos programas sociais, com a reserva de 10% das vagas anuais e a aquisição de manequins/simuladores negros para o laboratório de práticas de simulação realística.
Tema diversidade também é levado a sério na Rede Américas
Segundo Ricardo Mota, diretor de gente e gestão, responsável pelas áreas de RH, cultura, desenvolvimento, comunicação e diversidade da Rede Américas, a instituição atua muito forte com os direitos humanos dentro dos nossos estabelecimentos, a exemplo desses hospitais, que estão sediando a exposição, o Samaritano e Vitória, localizados na Barra da Tijuca.
“Nós temos grupos de afinidade, onde a gente traz um tema e todos os grupos discutem sobre determinado assunto. Nossa rede faz parte do Fórum de Empresas de Direito LGBTI+, para a inclusão de pessoas LGBTI+, temos protocolos desenvolvidos para atendimento especializado de pessoas trans. E por fim, trabalhamos com o Pacto Global de Inclusão de pessoas negras, cujo objetivo é colocar mais pessoas negras em papéis de liderança, para que a gente possa trazer essa transformação”, comenta Mota.
Serviço:
Local – Hospitais Samaritano Barra e Américas
Endereço – Avenida Jorge Curi, 550 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Exposição gratuita “Nigrum Corpus”
Data: Até 21 de abril
Horário: das 10h às 17h