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Elevador parado, fachada deteriorada e contas desorganizadas: sinais de que um condomínio pode perder atratividade no mercado imobiliário

Conservação das áreas comuns, planejamento financeiro, segurança e organização documental também entram no radar de quem pretende comprar um imóvel

 

Na hora de comprar ou vender um apartamento, localização, metragem, número de quartos e estado de conservação da unidade costumam concentrar a atenção. Mas há outro patrimônio que pesa na percepção de quem visita o imóvel: o próprio condomínio.

 

Elevadores com falhas recorrentes, fachadas deterioradas, manutenção adiada, obras acumuladas, contas desorganizadas ou ausência de planejamento financeiro podem indicar despesas futuras e comprometer a atratividade do empreendimento.

 

Para a síndica profissional, gestora patrimonial e advogada Bárbara Oliveira, esse é um dos motivos pelos quais a administração condominial precisa deixar de atuar apenas na solução de problemas imediatos e adotar uma lógica de preservação patrimonial.

 

“Um condomínio bem administrado não espera o problema aparecer para agir. Quando a manutenção vira emergência, normalmente o custo já é maior e a administração perdeu a possibilidade de escolher o melhor momento financeiro para realizar aquela intervenção”, afirma.

 

Segundo Bárbara, a conservação do patrimônio coletivo depende de uma combinação de fatores que nem sempre são percebidos individualmente pelos moradores: manutenção preventiva, planejamento de obras, acompanhamento de contratos, organização documental, equilíbrio das contas e definição de prioridades.

 

Na prática, a situação das áreas comuns também pode interferir na percepção do comprador durante uma visita ao imóvel.

 

Hall de entrada, fachada, elevadores, garagem, iluminação, jardins, equipamentos e áreas de lazer funcionam como uma espécie de cartão de visitas do empreendimento.

 

“A pessoa pode estar comprando um apartamento reformado, mas ela também está entrando em uma estrutura coletiva. É natural que observe como aquele patrimônio está sendo cuidado e que tipo de despesa pode surgir no futuro”, explica Bárbara.

 

Manutenção adiada pode custar mais

Um dos erros mais comuns, segundo a gestora, é interpretar a postergação de serviços como economia.

 

Problemas aparentemente pequenos podem se transformar em intervenções complexas quando não são tratados no início.

 

“Uma infiltração pequena custa uma coisa. Esperar o problema comprometer outras estruturas custa outra completamente diferente. Em condomínio, isso acontece em uma escala muito maior porque estamos falando de sistemas, fachadas, telhados, elevadores, bombas, instalações elétricas e hidráulicas.”

 

Por isso, a administração precisa trabalhar com cronogramas de manutenção e previsão financeira para intervenções que já podem ser antecipadas.

 

A lógica, segundo Bárbara, é trocar o improviso pela previsibilidade.

 

Saúde financeira também faz parte do patrimônio

Outro ponto importante é a situação financeira do condomínio.

Uma taxa condominial aparentemente baixa não significa necessariamente boa administração se obras importantes estiverem sendo continuamente adiadas ou se o empreendimento não tiver reservas e planejamento adequados.

 

“O objetivo de uma gestão eficiente não é simplesmente gastar menos. É gastar melhor, planejar e saber quais investimentos precisam ser realizados para que o patrimônio não se deteriore.”

 

A transparência também é fundamental nesse processo.

 

Moradores precisam conhecer as prioridades, compreender os investimentos e acompanhar como os recursos estão sendo utilizados.

 

Documentação e contratos

Além da manutenção física, a organização administrativa pode produzir consequências importantes.

 

Contratos, seguros, obrigações trabalhistas, laudos técnicos, documentação de obras e registros precisam ser acompanhados regularmente.

 

Problemas nessas áreas podem resultar em despesas inesperadas e insegurança para a administração.

 

Por isso, Bárbara defende que a sindicatura profissional precisa reunir conhecimento administrativo, jurídico e patrimonial.

 

“Hoje, administrar um condomínio exige muito mais do que resolver reclamações do cotidiano. O síndico precisa enxergar o empreendimento no médio e no longo prazo.”

 

O que observar antes de comprar um apartamento

Bárbara recomenda que compradores não avaliem apenas a unidade. Alguns aspectos do condomínio também merecem atenção:

* estado de conservação das áreas comuns;
* funcionamento e manutenção dos elevadores;
* situação da fachada;
* existência de obras previstas;
* histórico recente de chamadas extras;
* valor e finalidade do fundo de reserva;
* organização das contas;
* contratos relevantes;
* segurança e controle de acessos;
* planejamento de manutenção.

 

Para a gestora, nenhum desses fatores isoladamente determina o valor de um imóvel. Mas o conjunto ajuda a revelar se o patrimônio coletivo está sendo preservado ou se existem problemas acumulados que poderão aparecer futuramente.

 

“Boa gestão patrimonial é, acima de tudo, preservar aquilo que pertence a todos. Quando existe planejamento, o condomínio deixa de correr atrás dos problemas e passa a administrar o futuro.”

 

Sobre Bárbara Oliveira

Bárbara Oliveira é síndica profissional, gestora patrimonial e formada em Direito. À frente da SD Gestão Patrimonial, atua na administração de condomínios residenciais no Rio de Janeiro, com foco em governança, planejamento, transparência, segurança jurídica e preservação patrimonial.