
O SINPOSPETRO Niterói e Região ingressou com denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ajuizou ação judicial solicitando o bloqueio de parte do patrimônio dos empresários investigados na 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. O objetivo é assegurar recursos para o pagamento de salários, verbas rescisórias e indenizações trabalhistas dos empregados que atuam nos postos de combustíveis envolvidos nas investigações.
Deflagrada pela Polícia Federal, a 6ª fase da Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os alvos da operação estão o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e o ex-secretário Marcus Amim.
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam que Pablo Russo seria proprietário, por intermédio de pessoas interpostas (“laranjas”), de uma rede de postos de combustíveis. Ainda de acordo com a corporação, mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estariam ligadas a parentes do policial. Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam veículos de luxo em endereços localizados nos bairros de Camboinhas e Piratininga, na Região Oceânica de Niterói.
Para o presidente do SINPOSPETRO Niterói e Região, Alex Silva, a preocupação do sindicato vai além da investigação criminal. “Desde o início, nossa maior preocupação foi proteger os cerca de 900 trabalhadores. Por isso, denunciamos a situação ao Ministério Público do Trabalho e buscamos na Justiça o bloqueio de bens dos empresários investigados. Não podemos permitir que, ao final desse processo, faltem recursos para quitar salários, verbas rescisórias e indenizações. Os empregados não participaram de qualquer irregularidade e não podem ser transformados nas maiores vítimas dessa situação.”
Alex Silva destaca ainda que o sindicato vem recebendo relatos preocupantes das unidades envolvidas. “Há trabalhadores atuando em condições extremamente delicadas. Em alguns postos, os pagamentos estão sendo feitos apenas em dinheiro. Também recebemos relatos de gerentes apreensivos, com medo de serem responsabilizados durante operações pelo simples fato de estarem à frente das unidades, enquanto os proprietários não aparecem. É uma situação de grande insegurança para quem apenas cumpre sua jornada de trabalho.”
O SINPOSPETRO Niterói e Região continuará acompanhando os desdobramentos da Operação Unha e Carne e prestando assistência jurídica e sindical aos trabalhadores que tiverem seus direitos ameaçados. A entidade orienta todos os empregados das empresas investigadas a procurarem o sindicato diante de qualquer atraso salarial, descumprimento de obrigações trabalhistas ou violação de direitos.
Para o sindicato, o combate às organizações criminosas é fundamental para a moralização do setor de combustíveis, mas esse processo deve ser acompanhado da garantia de proteção aos trabalhadores, que não podem arcar com os prejuízos decorrentes das investigações nem serem responsabilizados por atos atribuídos aos empregadores.