A crise ambiental deixou de ser apenas um debate técnico. Ela se transformou em uma questão humanitária urgente que exige mobilização permanente de todos nós.
A ciência e os fatos recorrentes demonstram que já ultrapassamos diversos limites dos ecossistemas, e a situação tende a se tornar cada vez mais dramática se não encontrarmos mecanismos eficazes para transformar compromissos em ações concretas.
Há décadas participamos de seminários, fóruns, campanhas, debates e mobilizações. Avançamos em conhecimento, tecnologia e conscientização, mas os resultados ainda estão longe da velocidade necessária diante dos desafios que enfrentamos. O grande desafio do nosso tempo é sair do discurso e agir com urgência.
Os impactos das mudanças climáticas já são visíveis em todas as partes do planeta: ondas de calor e frio extremos, chuvas intensas, secas prolongadas, enchentes, desertificação, perda da biodiversidade e o crescimento do número de refugiados ambientais. Não se trata mais de uma ameaça futura. Estamos vivendo essa realidade agora.
Por isso, defendo uma mudança de paradigma baseada em políticas públicas efetivas, incentivos financeiros para práticas sustentáveis, educação ambiental permanente, fortalecimento das parcerias entre governos, empresas, universidades, mídia e sociedade civil, além da consolidação de uma economia de baixo carbono e do uso racional dos recursos naturais.
É com esse espírito que o Lagoa Viva e o Pacto de Resgate Ambiental vêm atuando há várias décadas na mobilização socioambiental voltada à revitalização e conservação dos corpos hídricos da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. Ao longo desses anos, promovemos campanhas educativas, seminários, mutirões, ações de limpeza, recuperação de áreas degradadas e a construção de importantes parcerias em defesa do meio ambiente.
Aprendi que a transformação começa no ambiente em que vivemos. Ela nasce nos condomínios, nas ruas, nos bairros, nas escolas, nas empresas e nas comunidades. Cada atitude conta. Cada gesto faz diferença. O cuidado com o meio ambiente depende do engajamento cotidiano das pessoas e da compreensão de que somos seres interdependentes, compartilhando a mesma casa comum.
Precisamos também refletir sobre os padrões de consumo que adotamos. A lógica do desperdício e da exploração ilimitada dos recursos naturais ameaça a própria sobrevivência humana. Se continuarmos nesse caminho, água limpa, ar puro e alimentos saudáveis poderão se tornar privilégios de poucos.
Ainda há tempo para mudar essa trajetória. Temos conhecimento, tecnologia e soluções disponíveis. O que precisamos é de vontade política, responsabilidade coletiva e ação imediata. A prevenção, a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas devem ser prioridades absolutas.
Faço um convite a cada cidadão: cuide do ambiente ao seu redor. Participe das iniciativas de sua comunidade. Exija compromissos concretos dos governantes. Apoie práticas sustentáveis nas empresas e nas instituições. Seja parte da solução.
Não desejamos o século da morte. Queremos o século do cuidado das formas de vida. Queremos um futuro mais justo, equilibrado e sustentável para as presentes e futuras gerações.
A mobilização pelo nosso ambiente de convívio precisa acontecer dia após dia. E ela precisa começar agora.
Por Donato Velloso, presidente do Lagoa Viva