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Rio de Janeiro confirma 11 novos casos de Mpox em 2026

Infectologista e docente do IDOMED, Dr. Iris Ricardo Rossin, explica cenário atual da doença e reforça importância do monitoramento contínuo

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A Secretaria de Estado de Saúde do Rio confirmou, na quarta-feira, (25/2), que de 51 notificações de possíveis casos de Mpox apenas 11 foram confirmadas em todo o estado, já em 2026. Grande parte das ocorrências está concentrada na capital, porém não houve registro de óbitos. Em números gerais, o Estado do Rio de Janeiro contabilizou, em 2025, 492 notificações, com 117 casos confirmados, enquanto 2024 registrou 1.057 casos notificados, dos quais 328 foram positivos, contudo, nenhum paciente morreu.

 

A identificação de uma nova variante recombinante do vírus da Mpox pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com registros no Reino Unido e na Índia, reforçou a necessidade de vigilância epidemiológica em 2026. Embora o Brasil não esteja em situação de emergência sanitária relacionada à doença, especialistas reforçam a importância da vigilância ativa e do monitoramento genômico contínuo.

 

De acordo com o médico infectologista e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), Dr. Iris Ricardo Rossin, a vigilância contínua é fundamental diante da possibilidade de eventos de recombinação viral. “Novas variantes podem surgir quando dois vírus relacionados infectam o mesmo indivíduo e ocorre troca de material genético. Isso não significa automaticamente maior gravidade, mas exige vigilância qualificada e capacidade de sequenciamento genômico”, explica.

 

A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, segue em circulação no país. Dados oficiais do Ministério da Saúde indicam que, após o pico registrado entre 2022 e 2023, o número de casos apresentou queda significativa, mas a doença permanece sob monitoramento. Novos casos continuam sendo notificados em diferentes estados, dentro do padrão de vigilância epidemiológica estabelecido pelas autoridades sanitárias.

 

Segundo o especialista, além da identificação e notificação de casos suspeitos, é essencial investir em monitoramento laboratorial avançado. “Testes convencionais podem não identificar vírus recombinantes. O sequenciamento genômico é fundamental para compreender a dinâmica da circulação viral e orientar estratégias de saúde pública”, afirma.

Historicamente, a maioria dos casos de Mpox apresenta manifestações leves ou moderadas. Formas graves são mais raras e costumam ocorrer em pessoas imunossuprimidas, como pacientes com HIV/Aids, câncer ou outras condições que comprometam o sistema imunológico.

Transmissão
A Mpox é transmitida principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, mucosas ou objetos contaminados. A transmissão pode ocorrer também durante contato íntimo. Exposição prolongada e próxima pode levar à infecção por gotículas respiratórias.

Prevenção e orientação
As principais medidas de prevenção incluem evitar contato com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais, higienizar frequentemente as mãos e procurar avaliação médica diante de sintomas como erupções cutâneas, febre e aumento de linfonodos.

A vacinação contra a Mpox está disponível no Brasil desde 2023, com aplicação prioritária em grupos de maior risco, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e da Anvisa.

 

Para o Dr. Iris, o momento exige equilíbrio na comunicação. “É importante evitar alarmismo e estigmatização. Ao mesmo tempo, precisamos reforçar informação técnica, orientação preventiva e manutenção da vigilância epidemiológica. A experiência recente mostra que resposta rápida e coordenação entre os níveis de saúde pública são determinantes para evitar novos surtos”, conclui.