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Cartunista Jaguar, morre no Rio de Janeiro, aos 93 anos

Por Graça Paes, RJ

O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, conhecido como Jaguar, faleceu neste domingo (24), no Rio de Janeiro, aos 93 anos. Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do hospital Copa D’Or, onde ele estava internado há três semanas, Jaguar foi hospitalizado devido a uma infecção respiratória, que acabou evoluindo para complicações renais. Nos últimos dias, ele estava sob cuidados paliativos.

Jaguar deixa a esposa, Célia Regina Pierantoni, e a filha, Flávia Savary.

O velório acontece nesta segunda-feira (25), a partir das 12h, na Capela Celestial do Memorial do Carmo, na Zona Portuária do Rio. A cerimônia de cremação está marcada para as 15h, sendo restrita a familiares e amigos próximos. O local do velório está decorado com algumas de suas charges e autorretratos, em homenagem à sua trajetória artística.

Trajetória
Jaguar iniciou sua carreira em 1952, aos 20 anos, como ilustrador da revista Manchete. O apelido “Jaguar” foi uma sugestão do também cartunista Borjalo. Na época, ele trabalhava no Banco do Brasil, sob a chefia do cronista Sérgio Porto, que o incentivou a abandonar o emprego para seguir a carreira artística.

Durante a década de 1960, Jaguar destacou-se como um dos principais nomes da revista Senhor. Trabalhou também em publicações como Civilização Brasileira, Revista da Semana, Pif-Paf, e nos jornais Última Hora e Tribuna da Imprensa.

Além do trabalho com ilustração, Jaguar também se dedicou à literatura. Em 1968, lançou o livro Átila, Você é Bárbaro, uma obra marcada pela ironia e pela crítica ao preconceito e à violência.

No ano seguinte, em 1969, fundou o icônico jornal O Pasquim, ao lado de Tarso de Castro e Sérgio Cabral. A publicação, sediada no Rio, tornou-se símbolo da resistência à ditadura militar, com humor ácido e crítica social.

Após o encerramento de O Pasquim, em 1991, Jaguar seguiu colaborando com a imprensa. Atuou como editor no jornal A Notícia e, posteriormente, foi chargista e colunista em O Dia, onde assinava a coluna semanal “O Boteco do Jaguar”, mesclando crônicas e charges com o estilo irreverente que o consagrou.

Em 2001, lançou o livro Confesso que Bebi, uma espécie de guia boêmio dos bares do Rio de Janeiro, refletindo sua paixão pela vida noturna da cidade.

Apesar de não ter formação acadêmica em jornalismo, Jaguar dedicou sua vida ao humor gráfico, tendo produzido mais de 30 mil cartuns ao longo da carreira.

Em 2012, ao ser diagnosticado com câncer no fígado, fez piada com a situação em sua coluna, afirmando ter consumido “uma piscina olímpica” de cerveja desde 1950.

Jaguar deixa um legado marcante no humor brasileiro, com sua visão crítica e traço inconfundível. Sua morte representa uma grande perda para a cultura nacional. Nossos sentimentos à família, amigos e admiradores.